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Reforço do BNDES custa até R$ 14 bi ao Tesouro

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Alexandre Rodrigues e Fernando Dantas

O Estado de S. Paulo – 07/12/2009

Esse é o custo anual do empréstimo subsidiado de R$ 100 bilhões que o governo cogita fazer ao banco estatal

O custo fiscal anual dos empréstimos do Tesouro ao BNDES, caso se confirme mais um aporte de R$ 100 bilhões, deverá variar entre R$ 5,2 bilhões e R$ 13,8 bilhões, segundo cálculos do economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Almeida acha que, provavelmente, o valor deve se situar próximo a R$ 10 bilhões, o que equivale a 85% dos recursos programados para o Bolsa-Família em 2009, de R$ 11,9 bilhões.

O economista é favorável à política industrial, mas acha que faltam clareza nos objetivos e transparência nos custos do ampliado papel do BNDES. Para calcular o custo dos empréstimos do Tesouro ao BNDES, ele partiu da cifra de R$ 237,5 bilhões, que inclui os R$ 137,5 bilhões emprestados até agosto com o possível novo aporte de R$ 100 bilhões.

Mansueto analisou a composição da remuneração que o BNDES dará ao Tesouro, na qual predomina a indexação à TJLP, com o custo do Tesouro para captar o dinheiro que empresta ao banco.

Em recente nota técnica, ele esmiuça questões metodológicas para se fazer esse cálculo, cujo resultado muda se for considerada ? como custo de captação do Tesouro ? a Selic, de curtíssimo prazo, ou títulos de longo prazo da dívida pública. No primeiro caso, tem-se o piso da diferença entre o custo e a remuneração do Tesouro, de R$ 5,2 bilhões e, no segundo, o teto de R$ 13,8 bilhões. “O fortalecimento do BNDES tem um custo, que não é pequeno, e que deveria ser explicitado pelo Tesouro Nacional; o banco deveria mostrar qual o benefício do uso desse dinheiro.”

Ele nota ainda que a política de formação de grandes grupos empresariais no Brasil, abraçada pelo BNDES, não está voltada para a diversificação dos investimentos daqueles conglomerados, nem inclui condicionalidades, como metas de exportação ou de investimento em pesquisa e investimento. Para Almeida, esses são elementos que já constaram da célebre política industrial sul-coreana, na qual ele vê mais méritos do que naquela hoje praticada no Brasil.

“Quando se vê a taxa de investimento por setor e os dados da balança comercial nos últimos 12 anos, a atuação do BNDES parece estar consolidando a nossa atual estrutura industrial, e não modificando-a”, diz. Assim, ele não vê sinais de uma política industrial que aumente o valor agregado das exportações ou aumente os investimentos em setores mais avançados tecnologicamente. “Estamos consolidando a nossa estrutura produtiva de hoje, que é a mesma de 12 anos atrás.”

Já para o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, professor da Unicamp, a agilidade e a imensa capacidade de desembolsos torna o BNDES naturalmente o instrumento preferido do governo para intervir na atividade econômica. Ele ressalva, porém, que é preciso ter outras fontes. “O governo está parado na busca de alternativas de investimentos. Como é muito difícil fazer isso, ainda não definiu um caminho. Mas é preciso encarar o problema.”

Ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, ele acha que o governo deveria aproveitar o atual patamar da taxa básica anual de Juros (Selic) a 8,75%, próximo aos 6% da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) do BNDES, para estimular os bancos privados a disputarem os grandes financiamentos. “Com spreads numa média de 3,5%, o BNDES não está fazendo concorrência predatória”, diz. Para ajudar, ele acha que o Banco Central poderia elevar o limite de uso dos depósitos compulsórios em financiamentos longos.

Para ele, a diversificação da carteira do BNDES não preocupa e sim o seu protagonismo. “O BNDES não é o problema, é a solução. E temos de dar graças a Deus por tê-lo agora. Há muito tempo o BNDES é chamado a múltiplos objetivos. O banco faz isso bem, sem prejudicar sua ação na política industrial.”

“Não adianta ficar discutindo o tamanho do BNDES, mas a falta de alternativa. Como ele é sozinho, vai sempre precisar de uma tonelada de recursos. É preciso criar incentivos para o mercado de capitais e para os bancos entrarem no crédito de longo prazo”, conclui.

Written by Rogerio Ferreira

09/12/2009 at 10:28

Poupança e investimento

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Periodicamente o debate sobre a relação entre poupança e investimento sempre volta. Agora, por exemplo,  alguns discordam de existir no país uma insuficiência de poupança interna ou da importância da poupança externa.

Os textos abaixo indicam sucintamente alguns pontos conceituais importantes neste debate:

Macroeconomia Prática – Márcio G. P. Garcia

Duas perguntas – Alexandre Schwartsman (blog “A Mão Visível”)

Entrevista do Samuel Pessoa ao Estadão (postado no blog “A Mão Visível”)

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Written by Rogerio Ferreira

07/11/2009 at 17:15

Cambio real X Formação Bruta Capital Fixo

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O gráfico abaixo contrasta a trajetória da taxa de câmbio real com o formação bruta de capital deflacionada.

A partir de 2002, à medida que o real se valorizava, vemos o volume da formação bruta de capital fixo se elevar.  A recente queda da formação bruta de capital fixo coincide com a desvalorização do real, no bojo da crise recente.

Numa primeira impressão, o período de maior apreciação cambial coincide com o maior volume de formação bruta de capital fixo.

Cambio X FbKf

Cambio X Formação Bruta Capital Fixo

IPEADATA

Séries:

Transformação de Taxa de câmbio – R$ / US$ – comercial – venda – fim período – R$ – BCB Boletim/BP – BM12_ERVF12

Capital fixo – formação bruta (deflator: IPCA) – R$(milhões) – IBGE/SCN 2000 Trim. – SCN4_FBKFN4

Fonte: Para 1991-1994: Sistema de Contas Nacionais Trimestrais Referência 1985.

Written by Rogerio Ferreira

31/10/2009 at 13:48

Publicado em cambio, macroeconomia

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